PEDRA DA ITAPUCA

Localizada ao largo da Praia de Icaraí
Trata-se de um monumento natural localizado entre as Praias de Icaraí e das Flechas, sob a designação indígena de Itapuca (pedra furada) por haver tido, em sua forma original, um túnel natural. A pedra foi parcialmente demolida por ordens do Presidente da Província, Conselheiro Pedreira, para dar prosseguimento ao Plano de Arruamento de 1840-1841, criando uma comunicação direta entre os bairros de Ingá e Icaraí.
A "pedra furada" é apenas conhecida através de uma pintura a óleo sobre madeira, de 17 cm x 30 cm, atribuída a Julius Mill. A atual imagem da Itapuca foi, posteriormente, largamente reproduzida. Na República, o Tesouro Nacional fez um ensaio nas oficinas de gravura da Casa da Moeda do Rio de Janeiro, de papel-moeda do valor de 200$000Rs. (duzentos mil réis). Esta mesma paisagem foi escolhida pelo Barão do Rio Branco para seu ex-libris. Também apareceu reproduzida em selos do Correio, em tiragem de dois milhões de unidades, posta em circulação em 2 de abril de 1945, comemorando o centenário de nascimento de José Maria da Silva Paranhos. Em 1907, as lojas maçônicas de Niterói (Acácia, Evolução, Hiram, Liberdade, Igualdade e Fraternidade e Vigilância) escolheram a Itapuca para figurar no timbre de uma nova entidade - o Novo Grande Oriente do Brasil.
A Pedra de Itapuca abriga uma lenda na qual a índia Jurema manteve com o guerreiro Cauby uma aventura amorosa. Conta-se que Jurema estava prometida ao mais forte e bravo dos guerreiros de sua tribo, quando se deparou, um dia, com Cauby, de nação estranha. Desde então, nas noites de lua, Jurema cantava e Cauby a ouvia. Um dia, o romance foi descoberto pela tribo de Jurema, sendo os dois amantes atacados. Cauby, temeroso, fugiu. Curada dos ferimentos, Jurema nunca mais cantou. Muda e triste, permanecia na praia, todas as noites, chorando as saudades de Cauby até que, passadas seis luas, chegara a hora de seu casamento forçado com outro guerreiro de sua tribo. Na véspera, Jurema, mais uma vez, se dirigiu à praia e começou e cantar. Foi quando, saindo das águas, Cauby abraçou-a e os dois se deixaram ficar, protegidos pela lua, até que membros da sua tribo os cercaram, armados e enfurecidos. Na luta desigual, os amantes pagaram com a vida. Nesse momento, Tupã, a pedido de Jacy - a lua - abençoando o amor de Cauby e Jurema, transportou-os para o interior da pedra, onde permaneceram eternamente unidos.
Em 1985, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - INEPAC - tombou a Pedra de Itapuca como monumento natural, através do processo E-03/33.538/83, de 9 de junho.
Retirado do livro "Niterói Patrimônio Cultural", editado pela SMC/Niterói Livros em 2000. |