TEATRO MUNICIPAL JOÃO CAETANO

Rua XV de Novembro, n°.35 - Centro.
A história do Teatro Municipal João Caetano confunde-se com a própria história do teatro niteroiense. As primeiras referências datam de 1827, quando, no antigo Caminho do Capitão-Mor, hoje rua Quinze de Novembro, se instalou a primeira casa de espetáculos da vila, administrada pela Sociedade Dramática da Praia Grande. Em seu palco, estreou, em 1833, a Companhia Dramática Nacional formada por João Caetano. A casa pertencia a José Francisco de Furtado Mendonça que vendeu o imóvel, em 1834, a um dos fundadores da sociedade, Joaquim Antonio Correia Bacelar. Seis anos depois o prédio foi transferido ao grupo dramático que já tinha uma nova denominação, Sociedade Filodramática de Niterói.
Em 1842, João Caetano adquiriu a casa e a transformou em Teatro Santa Tereza. Após rápida reforma, o teatro foi inaugurado em dezembro daquele mesmo ano. Em 1844, sob o comando do engenheiro Carlos Revière, o teatro sofreu novas reformas, sendo ampliado. Ganhou novo frontispício e varandas laterais, além do camarote de honra, destinado ao imperador D. Pedro II.
Após a morte de João Caetano, em 1863, o teatro entra em decadência e chega a ruir. O governo provincial contratou sua reconstrução sob a responsabilidade do mestre italiano Felice Tati. As obras iniciadas em 1878 prolongaram-se até 1884, quando o teatro é inaugurado com a presença do Imperador. Nesta reforma, o pano de boca recebeu uma paisagem de Icaraí, pintada por Antonio Parreiras. No entanto, rumores de ameaças de desabamentos afastaram o público, levando o teatro à falência.
Em 12 de novembro de 1887 o teatro foi incorporado ao patrimônio da Província. Por ocasião da Revolta da Armada, em 1893, o teatro foi bastante danificado, ficando abandonado por alguns anos. Quando o governo provincial resolveu leiloá-lo, a Câmara Municipal de Niterói o arrematou. E, sob o comando do engenheiro Pedro Joaquim da Silva Fontes, o teatro sofreu verdadeira reconstrução, sendo inaugurado em 1º de janeiro de 1897. Em homenagem ao gênio do teatro, João Caetano, em 1900, a Câmara Municipal muda o nome do teatro para Teatro Municipal João Caetano.
O teatro foi reinaugurado, em 1995, após uma profunda restauração. Ao longo de sua história, o teatro sofreu sucessivas obras de reformas que foram alterando-lhe a forma original, ora adaptando, ora desfigurando os espaços, conferindo-lhe características de diferentes épocas embora a fachada tenha mantido as linhas arquitetônicas de um neoclassicismo tardio proveniente das reformas de 1888 e 1889. O projeto de recuperação, coordenado pelo restaurador Cláudio Valério Teixeira, encarou o grande desafio que era respeitar os aspectos históricos do prédio e, ao mesmo tempo, dotá-lo de recursos técnicos contemporâneos. Assim, a filosofia adotada foi a de recuperar elementos importantes, manter intervenções que possuíam qualidade, e eliminar as que não respeitavam a dignidade arquitetônica do prédio.
Atualmente o conjunto do teatro é composto por três corpos edificados: o teatro propriamente dito, os anexos (camarim e operacional) e o prédio administrativo, o qual abriga a Sala Carlos Couto.
A Sala de Espetáculos, formada por palco, platéia e galerias guarda seus aspectos artísticos remanescentes do final do século XIX. Destacam-se as pinturas de Thomas Driendl - artista alemão contratado, em 1888, para fazer cenários, pano de boca e a decoração que teve como tema motivos florais ou de caráter alegóricos, além do conjunto de balcões policromados e demais ornatos que compõem sua decoração. Um novo pano-de-boca foi pintado pelo artista e paisagista Roberto Burle Marx, encobrindo a moderna cortina corta- fogo.
O Salão Nobre teve sua pintura original resgatada. Três telas de autoria de Driendl compõem o forro deste salão, que tem as paredes dotadas de grandes espelhos e decoradas com técnica de pochoir.
Em 27 de agosto de 1990, o prédio foi tombado, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - INEPAC, com a finalidade de preservar tal marco da dramaturgia no Brasil e da memória da cidade, através do processo E-18/001.175/90.
Retirado do livro "Niterói Patrimônio Cultural", editado pela SMC/Niterói Livros em 2000. |